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Perguntas e respostas

SOBRE A REENCARNAÇÃO

Eu sempre achei muito interessante a doutrina espírita da reencarnação. Por que a Igreja Católica rejeita esta explicação do destino do ser humano?

Eu compreendo o seu interesse pela reencarnação. Hoje em dia muitos católicos se sentem atraídos por essa doutrina, que, à primeira vista, esclarece bem o mistério da existência humana. Mas este deslumbramento é fruto de uma confusão. Por hoje vou me limitar a explicar por que essa interpretação da vida humana é contrária à nossa fé e não pode ser aceita pelos católicos. O Evangelho fala de ressurreição da carne, coisa muito diferente.
De fato, não sei se você já reparou que, para quem crê na reencarnaçãao, a pessoa humana se reduz ao seu espírito. O corpo não tem valor. É só um invólucro descartável do espírito. Os espíritos vão assumindo em cada existência um corpo diferente, até que, purificados e libertados do corpo, chegam à perfeição. Mas assim nós perdemos a própria identidade. Eu seria apenas uma fase da trajetória dum espírito, que foi um soldado romano, depois um comerciante árabe, depois uma escrava no Brasil do século passado e será ainda não sei o que, se não acabar de se purificar na existência atual. Quem vai ser feliz afinal depois de todas essas encarnações? Eu? O soldado romano? Alguma das pessoas que viveram realmente? Não. Nenhuma dessas pessoas de carne e osso, apenas o espírito desencarnado!
Para o cristão, ao contrário, a pessoa humana não é só o corpo, como pensam os materialistas, mas também não é só a alma. Deus cria cada um como uma unidade de corpo e alma, com sua identidade própria de homem ou mulher, de brasileiro ou chinês. Sou eu mesmo, com meu nome, meu corpo, minha história, que Deus ama e chama para participar da vida eterna em sua companhia. A pessoa inteira, depois desta vida, é destinada a ressuscitar com Cristo para uma existência nova e definitiva, onde o corpo, transfigurado, goza também da felicidade completa que ele prometeu aos que seguem o seu caminho.
Como você vê, o ensinamento de Jesus sobre o nosso destino, sobre a ressurreição para a vida eterna, é muito mais rico de verdade e esperanças que a doutrina da reencarnação. (João A. Mac Dowell S.J.)

A Igreja ensina que, se uma pessoa vive mal, está perdida para sempre. Não lhe parece mais humano pensar, como os espíritas, que temos sempre outra chance de melhorar e de chegar à perfeição nas próximas reencarnações?

A Igreja segue o ensinamento de Jesus e do Novo Testamento, que diz na carta aos Hebreus: "Foi estabelecido que os homens morram uma só vez; e depois da morte vem o julgamento" (9,27). Para motivar as pessoas à conversão Jesus constantemente chama a atenção para a realidade da morte e do julgamento de Deus. Baste lembrar a parábola do rico avarento e do pobre Lázaro. Ele deixa claro que esta vida é única e que de nossa atitude agora dependerá o nosso destino eterno.
É esta verdade que dá valor à nossa existência atual. A vida é muito importante, porque é única e decisiva. Esta convicção nos ajuda a assumir a responsabilidade de nossas ações. Nós temos a tendência de adiar as decisões, pensando que podemos mudar de vida mais tarde, antes de morrer. Por isso, Jesus recorda sempre que precisamos estar vigilantes, preparados para o encontro decisivo com o Senhor, para que a morte, que chega a qualquer momento, não nos encontre desprevenidos.
Infelizmente, nós católicos somos muitas vezes incoerentes com nossa fé. Vamos vivendo de qualquer jeito, procurando satisfazer os nossos gostos e interesses egoistas, sem nos preocupar com o nosso destino final, como se Deus não existisse. Se isto sucede com quem acredita que esta vida é única, imagine o que fará quem leva realmente a sério a reencarnação. Por enquanto pode praticar o mal, explorar os outros, tirar vantagem de tudo, sem nenhum escrúpulo, porque tem sempre a chance de remediar os seus erros numa vida futura. Veja bem. O espiritismo não aconselha esta conduta imoral. Pelo contrário, ensina que quem procede assim terá de pagar as suas culpas na próxima existência. Mas a idéia de que nada é definitivo enfraquece a resistência contra as tentações do mundo. A reencarnação deixa sempre uma porta aberta. Eu posso adiar indefinidamente a minha conversão.
Ao contrário, a convicção de que a morte põe um ponto final na minha possibilidade de dizer "sim" a Deus, é um incentivo poderoso para agir bem, para ajudar o próximo, para contribuir para um mundo mais humano. (João A. Mac Dowell S.J.)

Segundo a Igreja, basta arrepender-se para ser salvo por Deus. Isto não me parece justo. Eu creio que é o espírito que deve purificar-se de suas culpas para merecer a perfeição definitiva. Que acha o Sr.?

Como diz Jesus, só Deus é verdadeiramente bom. Nós queremos ser bons, mas experimentamos continuamente nossas falhas. Se Deus fosse apenas justo, ninguém se salvaria. Por isso, a sua última palavra não é justiça, mas misericórdia e perdão. Mesmo os maiores santos se consideravam pecadores, salvos pela bondade de Deus. Somos todos como o servidor da parábola do evangelho, que devia ao rei milhões e milhões. Uma dívida infinita, que jamais seríamos capazes de pagar, nem mesmo através de sucessivas reencarnações. A medida que fôssemos nos purificando de umas culpas, iríamos cometendo outras: O justo peca sete vezes ao dia, diz a Bíblia.
Por isso, Deus se compadece de nós e perdoa as nossas ofensas, com uma única condição, que nós também perdoemos aqueles que nos ofenderam. De fato, para Jesus, a realização plena do homem, em última análise, não é resultado de seus esforços e boas ações, mas um dom gratuito de Deus. Temos, sem dúvida, de colaborar com a iniciativa de Deus que quer salvar-nos. Mas nossa colaboração consiste basicamente em crer: acolher com gratidão a oferta de Deus e deixar que seu amor frutifique em nossa vida por meio de obras de misericórdia e perdão.
Esta é a diferença fundamental entre o ensinamento de Jesus e a doutrina espírita da reencarnação. Segundo ela, é o espírito humano que se purifica de suas culpas, se aperfeiçoa, se salva por esforço e mérito próprio, através de sucessivas existências. A perfeição final é conquistada por cada um, quando se libera de todos os males da vida terrena. Esta idéia tem, à primeira vista, o seu atrativo. O homem moderno aprecia a sua autonomia e não gosta que seu sucesso dependa de outros, nem mesmo, ou sobretudo, de Deus. Pensa que é contra a sua dignidade dever a sua salvação a um gesto de compaixão e perdão.
Mas esta pretensão é ilusória. Nossa realização depende dos outros em inúmeras coisas, mas principalmente numa, o amor. A Psicologia ensina que só quem faz a experiência de ser amado, é capaz de amar gratuitamente e assim chegar à madureza humana. Esta lei vale mais ainda a respeito do nosso destino final. Quem recusa a oferta do amor de Deus, pretendendo conseguir por si mesmo a própria perfeição e autolibertação, permanece eternamente frustrado. A dignidade do homem está em acolher com gratidão o dom da vida e entregá-la livremente ao outro no amor. (João A. Mac Dowell S.J.)

Não lhe parece que a reencarnação é a melhor explicação para a diversidade da sorte das pessoas neste mundo?

Não há dúvida que as condições de vida das pessoas no mundo são muito diversas. Alguns são privilegiados. Têm tudo para vencer na vida: saúde, talento, boa educação, recursos financeiros, amizades, etc. Outros, pelo contrário, parecem condenados ao fracasso, por causa de taras hereditárias, doenças mentais, ou um ambiente de miséria, fome e exploração.
De onde vem esta desigualdade? A doutrina da reencarnação oferece, como Você dizia, uma explicação simples e aparentemente satisfatória. Cada um recebe na vida atual o que mereceu na sua existência anterior. Ele paga por seus pecados ou recebe a recompensa das boas ações que praticou em outra encarnação. Assim, para o espírita, a desigualdade da sorte das pessoas não é arbitrária, mas corresponde à justa retribuição de suas obras. Para dizer a verdade, eu não vejo nenhuma justiça nesta solução. Como posso ser castigado por faltas cometidas noutra vida, das quais não tenho nenhuma recordação nem sou pessoalmente responsável?
O Evangelho também ensina que o destino do homem depois da morte depende do seu comportamento aqui na terra. Mas, veja bem, para o cristão, esta retribuição ocorre na vida eterna e não numa outra vida terrena. Por isso, a nossa explicação da diversidade das situações que observamos neste mundo é outra. A existência, segundo a Bíblia, é um dom gratuito de Deus. Uma pessoa recebe um talento, outra cinco, outra dez, como na parábola de Jesus. Mas nessa diferença não há nenhuma injustiça.
Primeiro, porque a nossa existência não é um direito nosso. Não merecemos a vida, nem a saúde, nem qualquer outra circunstância favorável. Deus nos cria num gesto de amor, porque deseja comunicar a todos a sua felicidade. Ele não nos faz nenhum mal, só bem. Dá-me gratuitamente o bastante para viver eternamente com ele na paz e alegria. Como posso reclamar se outro recebeu ainda mais? Por acaso Deus não tem o direito de distribuir livremente os seus dons como lhe apraz?
O importante - este é o segundo motivo - é que qualquer pessoa, por mais difícil que seja a sua vida, pode alcançar a felicidade prometida por Deus. A nossa realização não depende da quantidade de talentos que recebemos, mas do modo como usamos esses talentos. Nem sempre o que possui mais vive melhor. Em última análise, o destino final de cada um depende da sua livre escolha: abrir-se a Deus e aos outros pela fé e pelo amor, ou fechar-se no próprio egoismo. (João A. Mac Dowell S.J.)

SOBRE AS IMAGENS E OS SANTOS

A Bíblia diz: "Não farás para ti imagem esculpida nem figura alguma". Como é que existem tantas imagens nas igrejas católicas?

É verdade que no Antigo Testamento, como mostram as palavras do livro do Êxodo que Você citou, estava proibido fazer imagens não só dos deuses falsos, os ídolos, mas também de Javé, Deus de Israel, que é também o nosso Deus. Essa proibição era muito importante, porque os israelitas tinham sempre a tentação de possuir uma estátua do seu Deus, como os outros povos. Foi o que aconteceu quando construiram o bezerro de ouro, para adorá-lo como o deus que os tinha livrado do Egito. O perigo era aprisionar Deus na sua imagem. Transformá-lo num objeto, que se pode controlar. Utilizá-lo como um meio para conseguir o que se deseja. Um grave erro, porque sou eu que devo fazer a vontade de Deus e não ele a minha.

O Deus verdadeiro é um Deus pessoal que comunica livremente os seus dons às suas criaturas. É ele que toma a iniciativa de vir ao nosso encontro através de sua palavra, revelando o que quer de nós. A proibição de fabricar imagens ia contra a tendência de possuir um Deus à nossa medida, à nossa disposição, sem respeitar a grandeza de Deus que está infinitamente acima de todas as nossas pretensões.

Mas com a vinda de Jesus Cristo ao mundo a situação mudou. Nele a Palavra de Deus se fez carne. O próprio Filho de Deus se tornou um homem verdadeiro, o filho de Maria de Nazaré. Ele assumiu um corpo como o nosso, para mostrar através de seus gestos e palavras, de toda a sua vida, que Deus é amor. Por isso, S.Paulo diz que Jesus é a imagem do Deus invisível. E o próprio Jesus acrescenta: Quem me vê, vê o Pai.

É porque Deus se fez homem pela encarnação do seu Filho, que a Igreja venera a imagem de Jesus. No Antigo Testamento, não era permitido fazer imagens de Deus, porque ele ainda não tinha revelado o seu rosto. Mas desde que ele se manifestou corporalmente em Jesus, a sua imagem nos ajuda a recordar os seus gestos de amor, na manjedoura de Belém, nas cidades e aldeias da Galiléia, na última ceia e na cruz, bem como a louvá-lo como o Senhor ressuscitado e glorioso presente no meio de nós.

Do mesmo modo, as imagens de Maria, mãe de Jesus, e dos santos, nos recordam a pessoa daqueles que foram amigos de Deus durante a sua vida e agora estão prontos a interceder por nós a Cristo, nosso Salvador. (João A. Mac Dowell S.J.)


Outro dia um crente me dizia que os católicos não são verdadeiros cristãos, porque rezam para imagens de gesso e madeira. São como os pagãos que adoram ídolos. Como se responde a esta crítica?

É muito fácil, porque não passa de uma grossa confusão. Você mesmo sabe que não é para a estátua ou o quadro que Você reza, mas para a pessoa de Jesus ou do santo ali representada. Nenhum católico é tão estúpido a ponto de pensar que aquele pedaço de madeira ou aquela imagem de papel ouve e atende a sua oração. Ele sabe muito bem que está se dirigindo a uma pessoa, que não se vê, mas que está viva na presença de Deus, e por isso escuta com benevolência os seus pedidos e agradecimentos.

Nós não adoramos as imagens de Jesus, de Nossa Senhora e dos santos e santas, mas as tratamos com respeito, como qualquer pessoa faz com o retrato de um ente querido. Quem venera uma imagem, de fato está mostrando o seu amor, confiança e gratidão à pessoa nela representada. Muitas vezes, olhando para a figura de Cristo ou de um santo, podemos rezar mais facilmente e conversar com eles sobre os problemas nossos e de todo o mundo. A imagem recorda a vida deles, os seus exemplos de amor e santidade, e ao mesmo tempo ajuda a torná-los presentes em nossa vida com sua graça e seu auxílio. Colocar a imagem de Jesus ou de Nossa Senhora num lugar de honra em nossa casa é um gesto de fé: queremos dizer que eles são para nós as pessoas mais importantes, mais queridas. É também a expressão do desejo, cheio de esperança, que eles abençoem a nossa família.

Tudo isso não tem nada a ver com idolatria. Mas, de fato, existem também católicos supersticiosos que atribuem um poder mágico às imagens dos santos. Tratam a imagem como se fosse o próprio santo, como uma espécie de feitiço ou amuleto, que garante por si mesmo proteção e felicidade. Dão assim pretexto às acusações dos crentes que Você lembrava. Na verdade, a imagem sozinha não resolve nada. Ela serve só para apoiar a nossa fé em Deus e na sua palavra. É pela fé que entramos em contacto com Deus e recebemos a sua graça para viver de acordo com seus mandamentos, o único caminho de felicidade e paz.

Quanto se lê no Antigo Testamento a proibição de fazer qualquer representação de Deus, o motivo é evitar aquela atitude religiosa falsa que, em vez de respeitá-lo como Senhor de nossa vida, pretende utilizá-lo para satisfazer nossos caprichos. Mas o culto das imagens, aprovado pela Igreja, longe de cair nessa aberração, ajuda o cristão a crescer na sua fé no Deus de Jesus Cristo. (João A. Mac Dowell S.J.)


Como é que os católicos, em vez de recorrer a Cristo, nosso Salvador, vão pedir ajuda aos santos, como São Judas Tadeu e Santa Teresinha, como se eles pudessem salvar-nos? A devoção aos santos não é contra a Bíblia?

É claro que só Cristo nos salva, como ensina a Bíblia. Mas, também para a Igreja católica, não são os santos que nos concedem as graças que pedimos a eles. Não sei se Você já reparou que dizemos: Santa Maria, mãe de Deus, rogai por nós pecadores. Quando reza aos santos e santas a Igreja usa sempre a fórmula: rogai por nós. Quer dizer: pede que eles roguem por nós a Deus, para que ele nos conceda a graça que precisamos. Ao contrário, quando se dirige a Cristo, a Igreja diz: Senhor, tende piedade de nós, como fez o cego do Evangelho; porque Cristo, o Filho de Deus, recebeu do Pai o poder de dar a vida e a salvação a toda a humanidade.

Portanto, quando rezamos a um santo, não o colocamos no lugar de Jesus Cristo, como se ele fosse divino e tivesse o poder de nos salvar. Pedimos só que eles orem por nós a Deus. E isso não é absolutamente contra a Bíblia. As cartas de Paulo contêm muitas preces que ele faz pelos cristãos das Igrejas que tinha fundado. Por exemplo, na carta aos fiéis de Colossos diz: "Não paramos de rezar por vós e de pedir que conheçais plenamente a sua vontade" (1,9). Na mesma carta pede também as orações deles por si e por sua missão, dizendo: "Rezai também por nós, para que Deus se digne abrir caminho para a pregação, de modo que possamos anunciar o mistério de Cristo, pelo qual estou algemado" (4,3).

Estes exemplos mostram que é próprio dos cristãos rezar uns pelos outros e pedir as orações sobretudo daqueles que estão mais perto de Deus pela sua vida santa. De fato, o apóstolo Tiago diz na sua carta: "Orai uns pelos outros para serdes curados. É de grande poder a oração assídua do justo" (5,16). E cita o caso de Elias, que era um homem como nós, mas orou fervorosamente e obteve um milagre de Deus. Portanto, quando desejamos alcançar uma graça de Deus, podemos dirigir-nos diretamente a ele; mas também podemos pedir a outros que intercedam por nós com suas orações.

Mas, se recorremos à intercessão de nossos irmãos e irmãs aqui na terra, com muito maior razão rezamos aos santos, para que obtenham de Deus as graças que precisamos. Durante a sua vida foram amigos de Cristo; e agora, que vivem na sua companhia, não desejam senão ajudar-nos, rogando por nós. Você vê assim que, orando aos santos, não nos esquecemos de Cristo; ao contrário, reconhecemos que é dele que os santos recebem toda sua santidade e poder. (João A. Mac Dowell S.J.)


Está escrito na Bíblia: "Existe um só Deus e um só mediador entre Deus e os homens: o homem Cristo Jesus". Como então os católicos rezam aos santos, recorrendo a outros mediadores para alcançar as graças de Deus?

É verdade que Cristo é o mediador da nova aliança, como diz também a carta aos Hebreus; pois, por sua morte e ressurreição, fez-se causa de salvação eterna para todos quantos lhe obedecem, proclamado por Deus sacerdote segundo a ordem de Melquisedec (5,9; 9,15). Como o sumo sacerdote da antiga aliança entrava no santuário cada ano para interceder pelo povo, Cristo entrou no próprio céu, uma vez por todas, onde se apresenta diante de Deus, intercedendo por nós (9,24-26).

Mas todos os cristãos pelo batismo participam do sacerdócio de Cristo, como se lê no livro do Apocalipse: Ele fez de nós um reino de sacerdotes para Deus seu Pai (1,6). Assim todos os batizados somos também sacerdotes e mediadores, por causa de nossa união com Cristo pela fé e pelo batismo. Tudo o que o Pai concedeu a Cristo, seu Filho querido, ele partilha conosco, seus irmãos, ao enviar-nos o seu Espírito Santo: a filiação divina, o sacerdócio, a missão de anunciar o evangelho do Reino de Deus, a herança eterna.

Como sacerdotes nós temos o poder e o dever de orar a Deus, unidos a Cristo, não só em nosso nome, mas também em nome de todo o povo, louvando e agradecendo, suplicando e intercedendo, adorando e oferecendo as nossas vidas para sua glória e serviço. Também os santos, nossos irmãos e irmãs, que já gozam da felicidade sem fim na presença de Deus, não só adoram e louvam aquele que os salvou para sempre, mas também intercedem por nós, que ainda caminhamos no meio das dificuldades desta vida, para que sejamos livres de todos os perigos e alcancemos também o nosso destino eterno.

Esta intercessão dos santos em nosso favor é uma expressão da comunhão de amor entre todos os membros da Igreja, não só com os que estão aqui na terra, mas também com os que vivem para sempre na presença de Deus. Por esta comunhão no Espírito de Cristo podemos ajudar-nos uns aos outros, não só com nossas boas ações, mas também pela oração. Os santos não precisam mais de nossas orações, mas nós precisamos das suas. Por isso pedimos que roguem por nós a Deus, com a esperança de alcançar por seu intermédio as graças que desejamos. Mas eles só podem ajudar-nos porque são também membros do corpo de Cristo, e por isso participam do seu sacerdócio. A mediação dos santos não é independente da mediação de Cristo, único mediador entre Deus e os homens. Eles são como afluentes. Cristo é o único rio que leva as águas de nossos bons desejos até o oceano infinito da bondade de Deus. (João A. Mac Dowell S.J.)

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